Festival Jazz & Blues desce a serra
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A Cidade Jazz & Blues ficou lotada nos quatro dias de Festival na serra.Fotos: Chico GadelhaFestival Jazz & Blues desce a serra O Carnaval já passo...
Sexo, drogas e samba
Posted on 7/13/2011 by UNITED PHOTO PRESS
Mas esta odisseia – quase 600 páginas – regada de sexo, álcool e todo o género de estupefacientes é muito mais do que uma adaptação tropical da literatura beatnick. Porque Moraes constrói um delirante digressão romanesca em que o abjecto, a comédia e a filosofia se aliam para construir uma história que nos fornece um retrato vívido do bas-fond paulista em toda a sua decadência.
Zeca, o protagonista do livro, é um cineasta falhado que insiste em seguir um estilo de vida ferozmente hedonista, apesar das queixas constantes da mulher e das ameaças do cunhado, arrependido do dia em que o empregou numa produtora falida. Numa derradeira oportunidade para se endireitar de vez, é-lhe atribuída a realização de um pequeno filme promocional sobre embutidos de frango, mas o tresloucado documentarista recorre a todo o género de subterfúgios para escapar ao cumprimento da missão que lhe foi atribuída.
Cocainómano, alcoólico, viciado em sexo e misógino, Zeca comporta-se como se fosse a personagem principal de “uma opereta bufa escrita por um surrealista tardio com graves distúrbios de personalidade e muito ácido na cabeça”. Essa inconsciência inextricável levá-lo-á a participar em duvidosas aventuras, incluindo bacanais disfarçados de sessões místicas, descritos com uma minúcia quase obsessiva.
Mais do que os contornos do enredo, Pornopopeia impressiona pelo arrojo formal de Reinaldo Moraes, que, através do recurso a neologismos improváveis, trocadilhos insólitos e comentários diletantes, se revela um hábil manejador da língua, mesmo quando a subverte de um modo que não deixará de chocar os mais puristas.
Se o protagonista prima pelos excessos de vária ordem, o romance não o é menos. No afã de escrever uma verdadeira epopeia dos sentidos, Reinaldo Moraes incorpora na prosa tudo o que o rodeia, desde o ambiente circundante a pensamentos recônditos, transformando o livro numa desconcertante amálgama de sensações que, ora cativando ora provocando repulsa, deixará poucos indiferentes.