Festival Jazz & Blues desce a serra
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A Cidade Jazz & Blues ficou lotada nos quatro dias de Festival na serra.Fotos: Chico GadelhaFestival Jazz & Blues desce a serra O Carnaval já passo...
24 Letras por Segundo
Posted on 9/09/2011 by UNITED PHOTO PRESS
Ideia bacana da Não
Editora: chamar escritores para que recriassem, em contos, o clima de seus
cineastas preferidos. O resultado é esse 24 Letras por Segundo. Como toda reunião temática de
contos, é desuniforme – mas reserva boas surpresas.
Assim que peguei o livro, fui de cara ler o conto de meu amigo Milton Ribeiro,
baseado na atmosfera de Roman Polanski — e adorei. Passei então para o primeiro
conto, de Bernardo Moraes, baseado na obra de Tarantino — e a surpresa foi ainda
maior. Embalado, li o conto que vinha na sequência, “Um Mar para Carmina”, de
Monique Revillion, que tem como base Tim Burton e… puxa, meu queixo caiu.
Belíssimo conto, o melhor do livro, na verdade – depois volto a ele.
O organizador da coletânea, Rodrigo Rosp, foi o responsável pelo conto
“baseado” na filmografia de Woody Allen. Achei-o meio… fácil — aquela coisa do
Oráculo grego fora da história que conversa com o protagonista, já vimos isso
demais, né? O mesmo posso dizer do conto de Juarez Guedes Cruz, com base em
“Corpo Fechado”, de Shyamalan. É interessante e inventivo, mas parte de uma
premissa muito óbvia.
Até aí o livro ia bem, mas o conto da sequência, em que Reginaldo Pujol Filho
emula os Irmãos Coen, enjoou. É o conto mais longo, com uma pretensão
metalingüística chata e um desenrolar forçado. Para piorar, o conto da
sequência, de Pena Cabreira, sobre obra de Terry Gillian, usa dialeto sulista
(pra quê mesmo?) em um enredo até interessante, mas atrapalhado na proposta
formal. Chato.
“O Elevador”, de Pedro Gonzaga (Wong Kar-Wai), é interessante e bem curto —
deu um alívio. Aí Silvio Pilau quer fazer uma espécie de roteiro de cinema
inspirado em Kevin Smith e o nível cai de novo. Neste momento tive a impressão
que colocaram os melhores contos no começo do volume. Mas aí tem o interessante
conto de Milton Ribeiro (Polanski) e a boa narração de Eric Novello
(Bertolucci), seguida da tentativa de Bruno Mattos de passar para o papel o
imaginário de Zé do Caixão — e não é que ele consegue?
Aparece então “Três Copos”, mais uma tentativa de alta literatura para contar
uma história de meia dúzia de páginas baseada em Sylvain Chomet. O autor, Diego
Grando, é mestre em escrita criativa (antes dos contos somos apresentados aos
autores, todos acompanham minibio, um lance meio pedante) e parece querer
mostrar isso no seu conto, tornando-o apenas difícil e enpolado, tudo o que
Chomet não é.
Mas aí o livro melhora novamente com os contos de Samir Machado de Machado
(Spielberg) e Antônio Xerxenesky (Hal Hartley), que são diretos, honestos e
totalmente fiéis ao clima dos cineastas escolhidos. Então chega o segundo melhor
conto do livro: “O Paradigma do Mexilhão”, de Rafael Bán Jacobsen, que alguém
devia realmente fazer chegar às mãos de Almodovar. É emocionante como as coisas
vão se revelando, a nós e ao marinheiro Echeverría, protagonista do conto. É
interessante também como esse conto se liga ao de Monique Revillion (Tim
Burton), embora o de Bán Jacobsen seja mais cru e o de Revillion mais etéreo;
parecem conectados pela temática da morte associada ao mar. Esses dois contos
valem o livro.
No epílogo temos “O Fabuloso Juarez”, de Victor Paes, que é interessante. E
no final, com um exercício bem-sucedido de metaliguagem com David Lynch, temos o
poeta Márcio-André numa trama de crime e troca de identidades. É o conto que
melhor retrata o universo do cineasta homenageado.
Tenho que dizer também do projeto gráfico bacanérrimo do livro, de Guilherme
Smee e Samir Machado de Machado.
Antes dos contos há também a filmografia resumida de cada diretor.
O livro é um excelente presente para cinéfilos amantes de livros.
Luiz Biajoni